22 DONA PERPÉTUA
Certa
noite, por volta das 3h da manhã, despertei em uma rua hiper lotada
de pessoas. Caminhando entre elas e observando o local, deparei-me
com uma pessoa me chamando por nome, algo inusitado para mim. Olhei e
uma senhora veio até mim dizendo que se chamava Perpétua e que
havia sido minha professora. Eu particularmente, até hoje não me
recordo de que já tive alguma professora com esse nome. Ela me
perguntou sobre o plano físico, sobre a vinda do Messias. Eu disse
que a maioria dos evangélicos aguardavam a vinda do Messias. Ela me
chamou para ir até a casa dela. Morava em um prédio que parecia de
apartamentos. Na entrada havia algumas pessoas. Uma mulher estava na
entrada da casa e perguntou quem eu era. Eu disse que estava
encarnado e ela se surpreendeu; veio até mim e colocou o dedo no canto de minha boca. Eu tentei
arrancar, mas o dedo dela esticou como elástico. Eu, nessa época, não
sabia que era possível essa proeza, só depois de algum tempo aprendi sobre
a plasticidade do corpo astral e comecei a treinar mudança de forma. Neste impasse de tentar afastar aquela pessoa, acabei voltando para o
corpo.
Quando
adormeci e retornei para lá, percebi-me já dentro da casa de Dona Perpétua.
Ela me mostrou algumas revistas religiosas e me perguntou se eu não
teria mais alguma para dar para ela - eu não tinha noção de como poderia levar algo do plano físico para o astral e ainda não sei. Parece que aquela mulher falou com
alguém sobre minha visita e apareceram homens uniformizados lá,
quando eu estava saindo. Eles pegaram as revistas e tentei não dar.
Nisso dona perpétua falou que não tinha importância e que eu
podia deixar que levassem. Eu saí correndo e pulei um barranco
enorme que havia no fundo do prédio. Nisso voltei definitivamente
para o corpo e não fui mais por lá.
Pensando
um pouco sobre o assunto vieram algumas dúvidas. Até então eu
pensava que quem estava desencarnado e já sabia disso não conseguia
distinguir quem estava no mesmo estado que eles e quem não. Com o
tempo aprendi por experiência que depende da pessoa. Alguns
conseguem ver perfeitamente pois emitimos um pouco de luz. Tanto que
em muitas situações os espíritos vinham até mim para me drenar.
Outra coisa que nesta situação havia me surpreendido foi a fato do
dedo da mulher esticar e o motivo de enfiar na minha boca.
Em
muitas outras situações me deparei com espíritos vampirizadores.
Alguns dele colocam a boca no umbigo dos encarnados. Outros grudam
nas costas. Alguns drenam sem nem perceber, por necessidade de
aliviar seu sofrimento. Só de tocar a pessoa sente como que uma
choque elétrico passando pelo corpo e formigando, como se estivesse
saindo algo. Alguns enfiam o dedo nas axilas da pessoa. Com a
experiência aprendi a drenar energias também. Às vezes, quando me
tocavam, eu fazia o mesmo, segurava na cabeça deles e sugava-as em revide para
ver quem drenava mais.
Eu
ficava muito irritado quando colocavam o dedo debaixo de meu braço e assim eu acabava voltando para o corpo. No início de tudo só de
uma pessoa tocar em mim eu já retornava para o corpo. Mas, com o tempo,
fui me acostumando.
Certa
vez, um rapaz moreno veio até mim e acabei dizendo que estava encarnado. Logo que ficou sabendo ele colocou o dedo debaixo de meu
braço. Eu estava treinando uma coisa e testei com ele. Peguei o dedo
esticado e forcei para que se rompesse e assim se deu. Ele se
assustou. Neste momento fui até ele e segurei com força a cabeça
dele e mentalizei em direção a ele: “Fique cego”. Um olho dele
ficou branco e ele se foi reclamando.
Aprendi
a pegar as entidades e apertá-las com as mãos. Em certas
circunstâncias, uma mãozada as joga longe. Mas sempre voltam. O
melhor era drenar energia também. Mas fui aconselhado a não fazer
isso pois essas pessoas eram irmãos sofredores que precisavam de
energia. Eu li em algum lugar que os encarnados são como usinas
energéticas e tem muita.
Para
tentar ser um pouco bonzinho cheguei Às vezes a chamar alguns
entidades e oferecer energia. Mas eu esfregava meus braços neles e
passava para eles. Quando acabava eles iam embora sem me perturbar
mais.
Já
fui chutado uma vez e fiquei com tanta raiva que persegui o rapaz que
vez isso. As vezes a raiva é tão grande que não me controlo e faço
besteira. Já joguei algumas pessoas em penhasco, em fio de alta
tensão. Bati em outras. As crianças são as piores. Alguns pareciam ter tutores e eu reclamava, o que eles diziam que iriam cuidar da situação. Já fui até perseguido e jogaram correntes em mim. Lembro deles dizendo: "Esse aqui é forte". Eu rodei eles com corrente e tudo e lancei longe. Mas em todas as situações sempre chega um momento que o corpo ordena o retorno, o que deve ser pra proteção.
Cada
saída era uma oportunidade de aprendizado e eu comecei a me
incomodar sempre que via uma pessoa e achava que ela já estava vindo
me sugar. Meus treinamentos era sempre sozinho. Eu via um corpo de
água e tentava mexer com a água, congelá-la. Tentei fazer fogo mas
nunca consegui. Já lancei energia sobre plantas e as vi crescer. Já
derrubei casas, lancei pedras. Eu me sentia u super herói com
poderes mágicos, mas nem sempre as coisas saíam como eu esperava.
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