5 CRIANDO ASAS


Em muitos dos meus sonhos, eu sempre estava voando. Um desejo de liberdade que se manifestava nos céus. Assim, quando comecei a despertar lucidez, parecia que eu já sabia que para voar só era preciso querer. Mas, eu sentia necessidade de bater braços ou usá-los para planar, o que não é realmente necessário. Mesmo assim, eu fazia isso muito. Comecei a me imaginar como se fosse um pássaro e percebia uma imagem no chão que eu imaginava ser uma sombra de mim mesmo como pássaro. Isso aconteceu em muitas situações, eu voando e percebendo uma sombra, ou algo parecido que me remetia a um pássaro.  Eu não entendia muito bem o fenômeno, mas não importava, o que eu queria era desfrutar daquela sensação prazerosa, livre, fantástica.
Em certa ocasião, em uma cidade, haviam muitas pessoas no local em que eu estava. Eu queria sair dali voando mas não estava conseguindo sair do chão e ir alto, no máximo uns 50 cm do chão. Pensei então em criar, com minha mente, um par de asas e usá-las para alçar voo. Foi bem desapontador quando eu fiz as asas enormes mas que pareciam ser de plástico. Eu fiquei sem graça, pois não conseguia manipular aquilo, nem bater as asas pois esbarravam nas pessoas que estavam ali, próximas a mim.
Eu vou em cada lugares estranhos, cheios de pessoas não muito amistosas. Muitas delas, quando me veem, me cumprimentam por nome e eu não sei quem são. Às vezes, eu finjo que sei quem são e me despeço. Como sou professor, é fácil ser reconhecido e eu não me lembrar quem é a pessoa. Posso estar errado, mas parece que, quanto mais consciente de mim como encarnado, menos consciente de mim como espírito liberto. Parece que a mente cria um bloqueio que me impede de acessar as lembranças das coisas que fiz e das pessoas que conheci ou convivi no plano espiritual. É comum guardar certa simpatia, mas sem saber ou recordar quem é a pessoa. Em outras situações, aparecem alguns mal intencionados que querem subtrair algo, tal como energia ou um objeto. Nesta ocasião, eu encontrei uma faca e aquelas asas enormes deviam estar chamando a atenção. Um homem veio até mim e me disse que a faca era dele. Eu disse que já que era dele que ele podia pegá-la. Entreguei e o mesmo passou a faca no meu peito. Eu já sabia que aquele tipo de ataque não surtia efeito pois no mesmo local em que a faca passou houve uma regeneração instantânea. Me senti o Wolverine, super-herói dos X-men. Como não surtiu efeito ele fez algo que me irritou. Com um golpe rápido passou a faca na região de meus olhos e neste momento tudo ficou escuro. Depois de algum tempo aprendi que no astral, a visão não está limitada ao órgão que corresponde ao olho físico, mas eu não sabia e ainda hoje, por hábito, continuo usando os olhos para ver. Como estava tudo escuro, irritado, resolvi voltar para o corpo. Voltei já bastante vezes neste lugar. Já reconheço bem o local e sei andar por lá. Ainda bem que não me deparei mais com este ser. Embora, não foi a primeira e nem a última vez que passei por situações semelhantes.

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