4 MANIPULANDO O AMBIENTE
Sempre que eu via alguém, não me
importava, principalmente depois de perceber que muitos deles não davam
consideração às minhas indagações. Às vezes, eu achava que eles nem estavam me
vendo. No entanto, a curiosidade e a vontade de aprender resolveu falar mais
forte e tive que tentar conversar com alguns. Em certa ocasião, eu despertei
dentro de uma casa, em que me sentia como se a conhecesse – devo ter ido lá
diversas vezes antes e a memória registrou tudo, sem que eu recordasse bem. Eu
procurei sair da casa e olhar a rua e a movimentação. O local era diferente,
nada me parecia familiar. Então, era uma boa oportunidade para exploração. As
casas eram bem simples, com tijolos à vista, sem muros. A rua não era calçada e
tinha bastante morros. Haviam crianças ao longe brincando e eu não conhecia
nenhuma delas. Fui caminhando e à frente vi um casal sentado em algo semelhante
à uma varanda. Eu segui em direção ao homem, que aparentava uns vinte e poucos
anos e estava sem camisa. Perguntei se ele podia conversar comigo e ele
consentiu. Perguntei se ele estava desencarnado e ele respondeu que não, me deu
o nome da cidade em que morava, nome este que não me recordo mais. Com isso eu
meio que perdi o interesse pois queria mesmo era conversar com alguém dali, que
conhecia a dinâmica de vivência do lugar. Me despedi e desci uma rua em direção
a um campo vazio no qual jovens pareciam jogar futebol. Parecia que aquelas
pessoas estavam ali como eu, fazendo as coisas que estavam acostumadas. Eu
apenas observava tudo. O céu estava escuro, parecia que ia chover. E por sinal
foi o que começou a ocorrer. Eu fiquei olhando aquilo, sentindo a água caindo
em minha pele. A visão estava ficando ofuscada devido à chuva. Resolvi tentar
fazer algo diferente. Ia usar minha mente para afastar aquelas nuvens de chuva
e abrir o caminho par que eu pudesse desfrutar melhor a experiência. Fiquei
fazendo isso, levantei as mãos e tentava retirar as nuvens como se eu estivesse
apenas apagando uma desenho nos céus. E por incrível que pareça estava dando
certo, as nuvens se afastavam, mas logo vinha outra grande massa e cobria o
local. Neste momento, veio uma bela jovem até mim. Ela tinha a pela parda, bem
clara, cabelos castanhos encaracolados e olhos em um tom de verde bem evidente.
Veio até mim e disse que não adiantava eu fazer aquilo pois a chuva ia voltar.
Ainda hoje não sei se no astral chove, se era alguém criando o fenômeno, mas
isso me fez aprender algo valioso, que a mente era tudo ali e que eu podia
fazer muitas coisas, bastava concentração, uma vontade firme e bastante
energia.
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