6 USANDO A TÉCNICA DE CONTAGEM
Depois de muito pesquisar eu aprendi
que era possível despertar lucidez dentro de um sonho criando gatilhos mentais
para tal feito. Tal gatilho é uma situação que cause um choque de realidade e
faz com que a pessoa entenda que está no astral e saia do estado que eu chamo
de zumbificado, em que não sabe que está no astral, como se estivesse sob
efeito de algum anestésico. Para mim, inicialmente aprendi a técnica de
contagem dos dedos e depois do uso de mantras. A técnica de contagem dos dedos
consiste em, durante a vigília contar os dedos das mãos várias vezes durante o
dia. Temos a tendência de repetir as ações cotidianas quando estamos no astral.
Assim, quando lá estivermos e formos contar os dedos, perceberemos que não
temos a mesma quantidade, as vezes temos mais, outras vezes menos, e em outras
os dedos estão grudados. Para mim, isto serve de gatilho, então eu sei que estou
no astral. Embora não use muito este artificial atualmente.
Como sou professor, é comum eu sonhar
que estou em uma das escolas onde trabalho e, em uma dessas viagens, eu usei a
técnica de contagem dos dedos e me percebi no astral. Quando isso ocorre,
geralmente, eu abandono qualquer coisa que esteja fazendo e saio do local. Neste
caso, ao fazer isso, me deparei com uma ex-aluna, de outra escola, por lá. Eu
resolvi tentar fazer com que ela despertasse. Pedi para que ela me dissesse,
sem olhar, quantos dedos ela tinha na mão direita e depois para que ela contasse
os mesmos para conferir. Ela assim o fez. Mas, ao perceber que não eram cinco,
ela caiu no chão e ficou como que estivesse em choque, parecia dormindo. Eu
entendi que não havia dado certo e ela desapareceu. Imaginei que ela devia ter
voltado para o corpo. Assim, simplesmente, pulei da janela para a rua e fui ver
como era a região próxima à escola, no astral. Era um pouco diferente. Havia
uma castanheira grande na esquina e eu tentei fazer um experimento. Iria
absorver a energia daquela árvore e ver o que acontecia. E deu certo, em
partes. Mas, percebi que meu braço ficou super forte, parecia madeira. No mesmo
momento veio, uma voz feminina, dentro de minha cabeça, dizendo que aquela
energia não era compatível com meu corpo. Neste instante, apareceu uma mulher
com uma criança, um garoto de uns 7 anos, me dizendo para não fazer aquilo. Eu,
ao tentar afastar a criança de mim, dei uma mãozada na mesma, que eu arrependi.
Não percebi a extensão de minha força e a criança se desfez. Foi horrível. A
mulher ficou irritada, dizendo para mim: “ Olha o que você fez! Olha o que você
fez!” Eu fiquei comovido e amedrontado. Chateado comigo mesmo. Tentei
concentrar energia no que restou ali mas, as partes não se juntavam
normalmente, viravam plantas. Resolvi voltar para o corpo e assim se deu. Acho
que aquilo foi criação de minha mente ou alguém plasmou aquela criança para me
ensinar que era perigoso aquele tipo de absorção energética. Sinceramente, não
sei. Nesta mesma noite, eu voltei no astral e fiquei assustado ao olhar na região
dos meus braços e não vê-los. Voltei para o corpo e fiquei bastante tempo
pensando naquilo, até que adormeci profundamente.
Eu percebi que parece haver um
sistema que faz com que voltemos para o corpo no astral para proteção. É muito
comum também haver o que parece uma perda energética. Pensando assim, eu
imaginei que, absorvendo a energia do local, eu poderia ficar mais tempo por
lá. Geralmente, quando as coisas começavam a ficar interessantes, eu voltava.
Em alguns casos, eu conseguia voltar para o mesmo lugar e em outros não, o que,
ainda hoje, me deixa bastante frustrado.
Na noite posterior eu percebi que meus braços
estavam normais e eu iria tentar aprender mais sobre a manipulação de energias e
objetos. Para mim, todo aquele processo era fascinante e eu aguardava
ansiosamente a noite, para testar tudo aquilo.
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