11 UMA PEDRA AZUL NA MINHA TESTA


Eu não sei o motivo, mas é muito comum eu despertar lucidez na casa em que eu cresci, em minha cidade natal. Já faz mais de 14 anos que me mudei de lá e ainda desperto muito por lá. Simplesmente me deparo deitado em uma cama, lá. Quando isso ocorre, eu me levanto e saio. Antes eu percebia algumas pessoas, dentro da casa. Mas, a experiência me fez entender que rostos conhecidos podem realmente ser aquelas pessoas, mas elas não sabem que estão lá e não vão lembrar quando acordarem, então, eu não gasto muito de meu tempo interagindo com elas.
Assim, ao despertar, eu rapidamente saí daquela quarto e fui para a rua. De frente o local em que eu morava, hoje há uma escola, mas quando eu cresci lá era um campo de futebol. Muitas e muitas vezes me deparo com essa cena e isso me ajuda despertar no astral, choque de realidade.
Desta vez, eu fui para a rua e segui em direção ao campo. Lá estavam vários rostos conhecidos e eu procurvava algum lugar para meditar, ficar sozinho. Das muitas vezes em que despertei por lá, eu ia até o rio que passa em frente e andava sobre a água, testava para ver se eu conseguia congelar certas partes pela minha vontade e geralmente dava certo. Com isso, eu fui aprendendo todas as possibilidades no plano astral. Desta vez, eu fiz algo diferente. Muita tolice de minha parte mas, eu, nesta época, não importava muito. Deste dia, em diante eu resolvi mudar um pouco. Só um pouco.
Eu olhei e, distante do local em que eu estava, percebia os postes de iluminação pública. Eu imaginei um raio indo em direção aos postes. E deu certo. Um feixe de luz branca e amarelada saiu de minha testa em direção aos postes, queimando-os. Eu não queria queimar, era só uma luz. Mas queimou. Neste instante, veio uma voz feminina, dentro de minha cabeça, mais uma vez e me disse: “Fabrício, você está usando seu dom de maneira errada”. No ímpeto do momento, eu retruquei, dizendo: “ Qual dom? Eu não tenho dom algum”. Para mim, aquilo era meu sonho e eu podia fazer o que quisesse. Logo apareceram varias entidades perto de mim e uma delas, com um rosto familiar me disse que havia uma pedra azul, brilhante, no centro de minha testa.
Eu fiquei achando muito estranho aquilo e resolvi passar a mão na testa. Para minha surpresa, realmente senti algo protuberante na testa. Ela me pediu a pedra e eu dei para ela, sem pensar muito no assunto, afinal quem poderia ter colado aquilo em mim. Logo depois que eu retirei a pedra azul e entreguei para a moça, ao tocar em suas mãos, eu fui puxado para o meu corpo.
Essa experiência me deixou pensativo. Eu não gostei da ideia de estar prejudicando alguém. Me prejudicar era uma coisa. Mas, prejudicar quem quer que fosse, mesmo hipoteticamente, me constrangia. Desde então, resolvi me controlar mais. Não garanto que consegui sempre, mas nunca mais eu quis queimar nada e nem ninguém.

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