14 SENDO CHAMADO DE GUARDIÃO
Logo à frente haviam várias pessoas aglomeradas e uma delas me pareceu
familiar. Fui até ela e perguntei se me reconhecia. Ela disse que sim, que
havia morrido em um acidente de carro em que bateu em um caminhão. Eu nunca
descobri se isso era verdade. Não deu tempo de conversar muito e fazer algumas
indagações. As pessoas me olhavam e diziam: “Olha, um guardião!”. Eu não sabia o
significado disso e não perguntei também. Devia ser por causa da roupa exótica.
Eu estava curioso com toda aquela movimentação e por fim, descobri o que era. Uma
mulher se aproximou de mim e disse: “Você é um guardião. Precisamos que
resolva uma questão. Meu filho está obcecado por aquela jovem e não quer
deixá-la em paz. Não conseguimos fazê-lo mudar de ideia. Fale alguma coisa com
ele.” A moça parecia sufocada com o jovem e as pessoas ali procuravam
afastá-los. Eu não entendi muito bem o caso, não sabia o que estava fazendo ali, mas resolvi dar uma de juiz e apoiar a moça. Cheguei para o homem e disse para
ele parar com aquilo. Ele respondeu desdenhosamente que não pararia, pois já
que ele sabia que a morte não existia, que ninguém podia fazer nada contra ele.
Eu falei que era bom ele saber que a morte não existia mas que tinha coisa pior
que a morte, então perguntei: “O que você acharia de ficar 10 mil anos preso
em um lugar, longe da moça?” Ele nada respondeu, ficou pensativo. Eu segui meu
caminho por entre as pessoas, afinal, eu não podia fazer nada contra ele. Um pessoa veio até mim e me perguntou se eu não queria ser tipo um correspondente no plano físico. Eu perguntei como seria isso e ele me disse que seria por meio de cartaz, tipo tarô, me mostrando as mesmas e dizendo que era possível nos comunicarmos. Eu não aceitei e saí dali.
À frente, haviam algumas crianças
brincando – pelo menos pareciam crianças. Elas se admiravam ao me ver com
aquela roupa e eu comecei a ficar com vergonha da situação. Um segundo alvoroço
tirou minha concentração quando ouvi algumas pessoas gritarem e correrem. Longe
eu vi o motivo. Apareceram alguns cães que pareciam bem raivosos. Eu, tentando
proteger as crianças, fui até eles e tentei afastá-los e vieram para cima de
mim. Eu pensei em aumentar meu corpo e dar uns solavancos neles. Deu certo.
Pisei em alguns e os outros fugiram. Não sei quem criou aquilo. Já vi outros
seres no astral depois disso. As crianças me agradeceram e eu resolvi acordar.
É muito comum eu acordar e ao dormir,
outra vez, ir parar no mesmo local ou nas proximidades e isto aconteceu nesta
noite. Voltei, um pouco distante de onde me encontrava antes e lá estavam
aqueles cachorros de novo. Mas eram mais, estava difícil contê-los. Neste
momento, aparecem umas mulheres com uns vestidos diferentes. Eram de cor roxa
para vinho, azul e marrom. Elas vieram para cima desses cães e afastaram todos.
Falaram algumas coisas comigo, me orientando, mas eu estava ocupado demais e
perdi o que diziam. Depois agradeceram e sumiram. E assim também eu fiz.
Já retornei, neste local, outras vezes,
mas voando. Tem muita gente lá envolta em ações muito ligadas a jogos e a álcool.
Eu resolvi fazer uma ventania e bagunçou tudo. Depois saí correndo, rindo da situação.
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