15 A LUA DEFORMADA
São tantas coisas diferentes e
repetitivas que ocorreram que, aos poucos, fui entendendo melhor e passando a
crer um pouco mais. No entanto, sempre desconfiando que poderia ser mera
criação mental. Como as experiências eram constantes e minha mente não
precisava mais dos gatilhos, eu comecei a tentar despertar algumas pessoas. Às
vezes me deparava com alunos, eles me diziam saber que estavam no astral mas
que não iam conseguir lembrar ao acordar. Eu tentava despertar alguns usando o
choque de realidade. Geralmente eu perguntava quantos dedos eles tinham na mão
e pedia para que não olhassem. Respondiam que tinham 5, lógico, então eu pedia
que contassem e eles se assustavam ao perceber que não tinham cinco dedos e
sempre desmaiavam. Esta técnica de contagem dos dedos me foi muito útil para
conseguir despertar no astral. Outras riam de mim ao falar-lhes que estavam no
plano espiritual. Eu fazia coisas diferentes como voar, mudar de cor, fazer luz
sair de minhas mãos e nem assim. Algumas diziam que as coisas que eu mostrava
para elas eram coisas do demônio Logo eu desisti de tentar despertar quem quer
que fosse.
Cheguei em uma situação que eu não
tinha mais o que fazer no astral. Afinal, era uma dificuldade tremenda ler. Eu
não sabia me deslocar com rapidez e mesmo voando não ia muito longe. Não
encontrava ninguém bem instruído que pudesse me responder às minhas indagações
e sanar minhas dúvidas. Eu não sabia quem estava encarnado ou quem estava
desencarnado para tentar um diálogo.
Era comum a maioria dos fenômenos ocorrerem à
noite. Mas, mesmo assim, eu enxergava bem. Às vezes, mesmo bem tarde da noite, eu
me deparava em locais claros, outras vezes eu enxergava bem, na escuridão total.
Entretanto, com o passar dos dias e com a constância das saídas, tudo parecia
mais difícil, eu me sentia pesado e nem sempre conseguia ver.
Em uma noite destas, eu me deparei em
um lugar bem diferente. Parecia um penhasco bem grande e com mata densa. Acima
eu podia perceber, na extremidade do precipício, algumas edificações. Mas eu
não conseguia voar até lá. Para mim há beleza em tudo. Todo lugar é especial,
diferente, belo. E como eu nunca havia estado ali, estava fascinado. Ao olhar
para o céu, negro, a lua parecia cheia, belíssima. Eu não queria perder aquele
momento. Resolvi fazer algo diferente. Eu ia absorver a energia emanada pela lua.
Parei no meio daquela floresta, dentro do penhasco e fiquei observando tudo
atentamente. Longe eu via um animal que parecia um cavalo, mas ele tinha uma proeminência
na testa semelhante a um chifre e a pele dele também era diferente. De longe
parecia ser grande, mas ao me aproximar, depois, percebi que era pequeno.
Ao me focar na lua, eu comecei a
respirar e imaginar que a luz da lua interpenetrava meu corpo. Neste momento
percebi algo sem explicação. A lua, à medida que eu absorvia sua energia,
começou a se desfazer. E quanto mais eu absorvia mais ela perdia o brilho. A
lua virou como uma mandala dourada e foi se apagando. Eu disse para mim mesmo:
“ Uai! Aquilo não é a lua, não” Ps.: eu sou mineiro e falo UAI.
Eu me senti recarregado. Parecia que
minha lucidez estava mais plena. Eu consegui me movimentar com mais agilidade.
Eu subi o penhasco nunca velocidade incrível e lá em cima me deparei com uma
mulher estranha. A aparência dela era de uma tia minha. Eu achei muito
estranho e ela veio para cima de mim. Neste momento, ela mudou a sua fisionomia
que agora era semelhante a uma velha com olhos malévolos, cabelos rebeldes e
pele meio azulada, come se estivesse apodrecendo. Eu saí correndo e ela veio
atrás. Eu tive que me defender e dei uma mãozada tão forte nela que a mesma se foi, me praguejando. Longe vi um cavaleiro
com armadura, naquele animal que me parecia um cavalo. Eu não ia voltar para o
corpo, ia enfrentar aquilo. Pensei: “Se eu consegui sugar a energia da lua eu
vou fazer o mesmo com aquele cavaleiro e seu animal”. De longe, eu me foquei
neles e assim o fiz, imaginei que energia saia do corpo deles e vinha para mim.
E não é que deu certo. O cavaleiro se desfez, caindo a armadura ao chão e o
cavalo diminuiu tanto que caiu também. Parecia que animal estava até morto e
fiquei com pena. Eu peguei a armadura e tentei colocar em mim mas era pequena
também e não servia. A espada que ele usava também era bem pequena. Eu estiquei
a mesma e ela me pareceu muito fraca. Não tendo mais o que fazer ali, resolvi
voltar para o corpo.
Hoje eu acredito que aquele ambiente
era criado por alguém para atrair projetores incautos como eu. Tudo com
objetivo de subtrair energia. O cavaleiro devia ser plasmagem de alguém para
afugentar intrusos tipo eu. Aquela lua também vim a descobrir o que era muito
tempo depois. Neste episódio, mais uma vez percebi que eu podia retirar energia
de onde eu quisesse e isso viria ser um problema para mim.
Em outras projeções eu me deparei com
situações semelhantes em que o local estava cercado por imagens de gigantes bem
ao longe, para amedrontar quem estava ali para que não tentassem sair. Em
outras vi cruzes brilhantes como farol emitindo suas luzes pelo chão, e
causando admiração nos que ali observavam. São muito variadas as situações em
que os projetores inconscientes são levados para ambientes criados para
iludi-los e de algum forma subtrair-lhes energias. A minha certeza da criação
desses ambientes veio quando eu me percebi em uma escola e as pessoas lá
estavam falando de mim. Foi muito constrangedor. Elas me viram e eu estava
lúcido. Falei com elas sobre o motivo de estarem ali e uma me olhou e disse:
“Esse daí é que é o tal do salvador?” e eu respondi que de forma alguma iria
salvar qualquer pessoa que fosse, afinal, para mim, quem salva é Cristo, por
meio de seu exemplo de amor altruísta, nos guiando para longe de nossas falhas
morais. Quando dois homens ali ouviram minha fala, começaram a conversar entre si sobre me atacarem e me
pegarem. Ao ouvir isso eu corri, subindo uma montanha, enquanto eles me perseguiam.
Surpreso fiquei quando cheguei no alto da montanha e vi que tudo na verdade
parecia uma plano espelhado com um buraco dentro do qual estava aquele vale, a
escola e todas aquelas pessoas, que não sei dizer se eram encarnados ou não.
Para mim foi revelador e resolvi me forçar a voltar para o corpo. Nunca mais
fui ali, mas aprendi bastante sobre a capacidade de muitas entidades no astral.
Chegam ao ponto de criar belas paisagens, tudo artificial, para enganar e usam de forte hipnotismo para manter as pessoas ali.
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