13 DIANTE DO ESPELHO
Depois que vi aquela irmã grudada em
minha nuca, percebi que eu não conseguia enxergar toda e qualquer
entidade, mas que, usando um espelho, eu conseguia fazer com que elas se manifestassem
visualmente. Assim, sempre que ia para o astral, eu procurava um espelho com
dois objetivos: ver essas entidades e ver as tatuagens em meu corpo. Não tinha
ideia do significado delas.
Em uma dessas, em que acordei no meu
quarto e me levantei com certa dificuldade, percebi que, sobre a minha cama,
havia um pequeno objeto, bem estranho. Ele parecia ter algumas pedras azuis
dentro dele que emitiam bastante luz. Como meu quarto estava escuro, eu peguei
aquilo e me posicionei diante do espelho para me ver.
Minha aparência estava normal, exceto por
um pequeno detalhe: eu tinha cabelo, pois sou careca. Estava bem difícil de me
ver, pois naquela hora o breu tomava conta de meu quarto. Resolvi pegar aquele
objeto estranho e usar para iluminar meu corpo afim de me observar melhor.
Quando fiz isso vi algo surpreendente: minha aparência mudou na hora. Vi que a
imagem espelhada mostrava meu corpo todo dourado, eu estava sem camisa e meu
corpo tinha um monte de tatuagens com símbolos hieróglifos e na minha cabeça
havia um tecido. A semelhança era daqueles faraós pintados pelos antigos e
aquelas peças de ouro com estátuas representativas. Eu tinha um pano na
cabeça, uma barba ou algo parecido com madeira no queixo, uma tiara com dois
objetos pequenos afixados, segurando o pano que era listrado. Nas minhas costas
apareceram duas peças estranhas que mais pareciam bastões. Olhei bastante
aquilo, prestei atenção nas tatuagens e pareciam uma coruja com as asas
abertas. Virei e olhei para minhas costas e neste momento vi mais tatuagens de
asas e algo escrito que não pude identificar. De repente vi algo se movendo
bem nas minhas costas, parecendo uma formiga enorme, mas de metal, tipo uma
máquina, ou um robô. Me assustei e voltei para o corpo.
A curiosidade foi tamanha que comecei
a usar um mantra e forçar uma nova saída, afinal eu queria saber o que era
aquilo. No retorno, me levantei da cama sem muita dificuldade e procurei passar
as mãos nas costas e consegui arrancar aquilo que joguei pela janela. Ao fazer
isso, olhei para minhas pernas e mais uma vez vi algo espantoso. Havia como que
uma saia, toda cheia de símbolos egípcios e eu retirei também, focando em fazer
com que ela derretesse em minhas mãos, o que aconteceu, então lancei -a pela
janela de meu quarto também.. Para minha surpresa, ao fazer isso, percebi que
meu corpo ficou todo enrolada em faixas mortuárias, tipo uma múmia - muita loucura para uma noite só. Fiz todo
esforço para arrancar aquilo e consegui, lançando fora de meu quarto. Tudo isso
me cansou e voltei para o corpo.
O dia foi de muitas reflexões e algum tempo
depois, o Egito antigo começou a se fazer presente em meu corpo através de mais
tatuagens, pessoas me falando de Ísis, escrevendo usando hieróglifos, que eu
não sei ler.
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