9 UMA BIBLIOTECA E EU NEM CONSIGO LER.


Esta cidade, que eu visitava, era bem grande, clara e cheia de vida. O que me restava era desvendar as particularidades do local e ver se eu aprendia algo importante. Certa noite, eu me deparei com uma faculdade e vi várias pessoas entrando no local. Eu resolvi me passar por uma delas e ir verificar como era lá dentro. Entrei e logo fui procurar uma biblioteca. Eu queria ver se achava algo diferente lá. Alguma instrução nova, algo proveitoso que não tivesse correspondência no plano material e que servisse para eu ter certeza do fenômeno. Entrei na fila para adentrar à biblioteca. Grande decepção. A pessoa que estava no balcão me disse que eu não podia entrar pois eu estava encarnado. Aquilo me chocou. Como ele sabia que eu estava encarnado? Não adiantava ficar ali. Voltei para o corpo.
Não sei se eu poderia aproveitar a minha estadia lá. Como esses fenômenos se tornaram tão constantes comigo, eu me deparei em muitas situações em que eu tentava ler algo e não conseguia. As letras pareciam diferentes. Era com grande dificuldade que eu conseguia entender um pouco. Eu acreditava que minha mente, podia criar algo enquanto eu dormia, e então eu poderia ler e escrever aquilo. 
Já me deparei com situações inusitadas, de acordar em meu quarto e olhar para a parede e o guarda roupas, e estes estavam todos escritos com fórmulas matemáticas. Isso quando a minha lucidez vinha espontaneamente, ao ter um choque de realidade, por ver que meu quarto no plano astral era um pouco diferente. Meu guarda roupas se apresentava em cor de madeira e minha janela, azulada, o que é diferente do físico. Isso despertava minha consciência. Então, eu procurava ler o que estava escrito ali, e não conseguia, afinal eram muitas coisas. Os números até que eram mais fáceis. No entanto, o encadeamento lógico era complexo e eu não conseguia lembrar de tudo ao acordar. Até tentei, mas acabei desistindo. 
Eu ouvia músicas com belas melodias e já estava deixando meu celular do lado da cama. Eu ouvia no astral, procurava decorar o máximo possível e forçava meu retorno para o corpo afim de cantar e não esquecer aquela canção. Isso aconteceu muitas e muitas vezes. Vi fórmulas sobre números primos que envolviam três variáveis muito semelhante aos primos de Mersenne. Cheguei ao ponto de receber de uma entidade, que eu não vi, uma demostração sobre a Hipótese de Riemman sobre números primos, que a entidade me disse que não era hipótese e sim lei de Riemman, me mostrando um desenho em que apareciam as posições dos números primos e uma demonstração complexa que eu não tinha ideia do que estava escrito. Ainda hoje eu não sei.
Acho que a minha descrença começou a afetar minhas experiências. Por mais que aquilo acontecesse sempre, que me dissessem que um sonho não cria nada, que apenas repete acontecimentos e analisa-os inter-relacionando-os e eu recebendo músicas originais e melodias que eu nunca tinha ouvido, eu ainda não acreditava. Tentava me convencer, mas não conseguia. Às vezes, eu resolvia que ia era brigar e saia lutando com todo mundo. Depois vinha aquele arrependimento. E se fosse verdade? Os belos lugares que eu via começaram a desaparecer. Aquele homem de branco, eu nunca mais vi. As noites, agora, pareciam escuras. Mas eu não tinha mais medo, e adentrava cada vez mais em lugares escuros, ambientes muito estranhos, com animais que nunca tinha visto. E queria ir cada vez mais longe.

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