10 UM "MENTOR" À PROCURA DE UM NEOPENTECOSTAL

Certa noite, eu despertei em uma casa bem simples. Não sei de quem era e nem o que eu fazia por lá. Logo que me percebi lá, resolvi sair da casa e ver o que havia na rua, pois dentro da casa não percebia ninguém.
Do lado de fora da casa havia um jovem que veio até mim e me cumprimentou. Ele me disse que estava procurando um neopentecostal chamado Fabrício – este é meu nome. Eu falei que eu me chamava assim e ele disse que era meu mentor. Eu fiquei olhando para ele desconfiado, afinal, não sou neopentecostal. Ele vestia-se de calça jeans colada, blusa de malha e calçava um tênis. Era mais alto que eu. Eu disse: “Mentor, sei! Que mentor que nada. Tchau.” E saí andando. Na rua, tudo estava escuro. Haviam dois rapazes andando e me aproximei deles. Este suposto mentor, que pode até ser mesmo,  veio atrás de mim, mas guardou certa distância. Eu cheguei até os jovens e a rua, parecia que não tinha iluminação  no final. Eu continuei andando em direção ao final escuro. Eu disse: “Vamos para as trevas?” Um dos rapazes me disse: “Credo! Eu não.” Neste momento, a rua parece que perdeu a solidez e eu comecei a afundar – devia estar indo para as trevas mesmo, não sei – e, de repente, uma pessoa me segurou pela mão, para que eu não afundasse, não sei quem foi, se um dos rapazes ou o “mentor”. Logo depois, comecei a perder a lucidez e tudo ficou escuro. Acordei em minha cama. 
Eu posso estar errado mas fiquei muito desconfiado daquele suposto "mentor". Ele me pareceu um tanto diferente, até mesmo bem mais jovem que eu, o que acabou por me fazer perder a confiança. Como eu não consigo perceber a intenção de ninguém eu fico à merce da sorte ao lidar com vários irmãos no mundo espiritual. 
Com o tempo aprendi que eles são peritos na arte do engano e se fazem passar por pessoas conhecidas para se aproximarem. E eu, na minha ignorância e ingenuidade caia sempre na deles. Aos poucos eu fui aprendendo a focar minha mente na entidade e dar um comando para que ela se mostrasse de forma real. Dependendo de quem se manifeste, eles não conseguem permanecer por muito tempo naquela forma. É muito comum se verificar que os dentes são diferentes, a cor dos olhos, estatura, o corte e cabelo e tom da pele. Mas para tanto é necessário ter boa lucidez, senão o engano estará feito. 
Quando comecei a treinar os comandos mentais para que as entidades mostrassem sua forma verdadeira elas começaram a me atacar. Alguns exclamavam como eu sabia que elas não eram quem pareciam. Algumas, por tanto tempo terem ficado em formas diferentes, não se lembravam mais a fisionomia da última reencarnação. Ocorreram grandes lutas que só depois aprendi que não surtia enfeito algum. 
Em outras ocasiões, com uma lucidez muito boa, eu já revelava para a entidade que sabia que ela não era o que se mostrava. Indaguei um certo homem, um dia, sobre o motivo daquilo. Ele aparentava um antigo comerciante de minha cidade e estava vestido com o paletó todo branco e segurava uma folha de papel. Ele me disse que se ele se mostrasse como era não conseguiria falar comigo. Ele desdenhou de mim, de como meu corpo estava surrado. Realmente meu estado era deplorável. Muitas brigas, muitas lugares estranhos e apuros que havia passado deixaram marcas em mim. Eu ri da situação e me senti grato por não estar à altura do que ele esperava.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

22 DONA PERPÉTUA